(Source: rafaelascat)
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(Source: b-u-g-s)

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Hoje enquanto eu estava na fila pra pegar um ônibus a bruxa me empurrou. Me pediu desculpas, disse que haviam esbarrado nela e que foi sem querer. Víbora mentirosa! O príncipe sentou do meu lado, sorriu e me desejou bom dia. Eu só pude ver os seus lábios se mexendo, pois meu MP4 estava no último volume - como sempre - o que impediu que meus ouvidos pudessem escutar sua voz. O dragão passou mais matérias do que poderia, dormi quase a aula toda e não entendi bulhufas. Erro meu ter saído daquele castelo, antes tivesse permanecido lá. Que burrice a minha… Como tudo tem seus pós e contras lá não era diferente. Me privava de ser livre, mas agora vejo que seria bem melhor viver afastada dessa merda toda. Hipocrisia, falsidade, mentiras. Aqui, ali, debaixo e em cima. Pra todo lugar que eu olho é simplesmente o que eu vejo. Você não vê? Sugiro que dê uma passadinha na ótica mais tarde, compra um óculos novo, que tal? Um que seja pra perto. É melhor enxergar a realidade assim, frente a frente. (…) No conto da Cinderela ela teve que limpar o chão e lavar a louça até o momento em que encontrara uma fada madrinha para ajudá-la, transformou a abóbora em carruagem, encontrou seu príncipe e viveram… felizes pra sempre, não é isso?! Pois então, meu conto é bem diferente, é um conto da minha realidade que não tem nada de bonita e meiga. A Cinderela aqui limpa o chão e lava a louça até hoje, e ai dela se não fizer; fica de castigo, sem internet. Minha fada madrinha tomou doril ou esqueceu de nascer, coitada. Talvez tenha pegado o caminho errado até a minha casa, vai saber… Meu príncipe? Só aquele do ônibus, que no máximo sorri e dá bom dia. Os que se interessam por mim apenas sapos e ogros. Tão nojentos. Tão iguais. Infantis e ridículos, o mesmo que digo de suas atitudes. (…) No meu conto minha mãe é rainha. Me criou sozinha sem precisar recorrer a algum rei idiota, nunca precisou da ajuda de servos e súditos. Se virou sozinha do jeito que pode e até hoje faz das tripas coração pra me ver feliz. Reinado de mãe podia durar pra sempre né? Imagina, se minha rainha fosse eterna? Ai, que felicidade seria… Não ligaria pras bruxas que me atormentam e nem pra príncipes que nunca aparecem. (…) Apesar disso tudo no fundo eu nunca quis uma história perfeitinha, dessas que a gente lê por aí. Rapunzel, cabelos longos e loiros. Ariel, uma linda calda de sereia. Branca de neve, pele clara e sedosa… Eu? Cabelos desgrenhados ao acordar. Calda que nada, prefiro meu All Star. Minha pele está longe de ser clarinha e sedosa, lotada de marcas de espinhas que adquiri durante essa minha passagem infanto-juvenil (…) Te aviso logo princesinha do século XXI, não fique igual uma tola aí na janela esperando o seu “felizes pra sempre”, aproveite logo o seu “felizes por agora” enquanto pode. — Luana Rabello, ac(alma)


(Source: aftershockdemi)